sábado, 15 de fevereiro de 2014

Colocando os pingos nos "is"...


Para minha felicidade o médico hematologista chegou antes mesmo que eu acordasse, o que me poupou de toda aquela ansiedade... Dormi pouco, acordei péssima e juro, ainda tinha a sensação de que tudo aquilo era um pesadelo.

O médico hematologista era quem iria acompanhar todo o meu tratamento e cuidar de mim até o final.  Ele seria o meu companheiro de todos os dias durante o tratamento. À primeira vista tomei um susto! É que ele ainda era um garoto...rs Mas quando começamos a conversar, ele me passou total confiança. Tá bom, eu confesso, pesquisei sobre sua reputação na internet e as referências eram excelentes. Não me julguem, era a minha vida que estava em jogo e eu precisava confiar plenamente. 

Seu nome é Rafael, que significa enviado por Deus para a cura. Nunca me liguei nestas coisas, mas desta vez isso me trouxe um grande acalento.

Logo de início ele me explicou acerca dos tipos de leucemia, que pode ser linfóide ou mielóide e aguda ou crônica. O tipo da minha doença era leucemia mielóide aguda ( M2). E me disse o mais importante, que a leucemia é uma doença com possibilidade terapêutica, o que significa que é possível o tratamento, com altos percentuais de cura! Acho que essa foi a melhor e única notícia boa do dia.

O tratamento indicado no meu tipo de leucemia era a quimioterapia, que ia ocorrer em cinco ciclos. Um ciclo de 7 dias com associação de dois medicamentos por 24 horas ininterruptas, chamado de indução, e mais quatro ciclos de três dias, com um medicamento duas vezes de três horas por dia, denominado de consolidação. Fiquei apavorada com a ideia de fazer uma quimioterapia por sete dias direto, dormindo e acordando... 

Ele me explicou ainda que os efeitos colaterais da quimioterapia faziam parte do tratamento e que não tinha como evitar. E que um deles seria a queda dos cabelos. Sofri muito quando ele me falou isso. Por mais que pareça futilidade, essa foi a informação mais difícil de digerir.

Neste dia fiquei sabendo também que ficaria por volta de um mês internada e que passaria por um longo período de isolamento. É que minha imunidade iria ficar muito baixa devido a quimioterapia e eu não poderia receber visitas... Não foi muito impactante esta notícia, mas aos poucos a solidão passou a ser minha companhia e isso me fez sofrer muito.

Soube ainda que passaria ainda no mesmo dia por um procedimento para colocação de uma punção profunda, que é um acesso em uma veia de grande calibre, por onde correriam todos os medicamentos. Até aí tudo bem. Não curti nada foi quando soube que esse acesso seria no pescoço. Desespero define!

Ele também me explicou que devido a quimioterapia eu teria que ser submetida a várias transfusões de sangue e que poderia perder peso. Por ironia do destino, eu que sempre vivi de dieta, agora queria ficar gordinha. É que imediatamente me veio a imagem de pessoas doentes, muito magras, só pele e osso e isso me apavorou. Não por vaidade, mas é que essa imagem me transmite uma ideia de fragilidade muito grande. Não queria ficar assim.

Por último ele me avisou que iria fazer em dois dias um aspirado de medula óssea e em seguida começaríamos o tratamento quimioterápico. 


Ufa! Foram tantas as informações que eu fiquei meio zonza, não tive nenhuma reação de imediato, mas depois que ele se foi desabei a chorar...