terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Duas doses de coragem e um copo com gelo, por favor!

Chegou a hora da quimioterapia. Esse era o meu maior medo no tratamento. Vi em vários sites acerca dos efeitos colaterais e, em alguns, vi casos de gente até que não resistiu já na primeira sessão - não sei se isso é verdade, mas fiquei apavorada só de pensar...

Muitas pessoas me perguntaram como é a quimioterapia, e eu posso assegurar que é a pior experiência que o ser humano pode experimentar. Sei que não era essa exatamente a resposta que estas pessoas esperavam, então vou explicar. 

A quimioterapia, no caso do meu tratamento, consiste em aplicação por via venosa de medicamentos. Até aí parece simples.  O problema são os efeitos colaterais...

A enfermeira entrou no quarto e me explicou que iria proceder a colocação da quimioterapia, que elas chamam "carinhosamente" de QT! Enfim, ela pendurou o medicamento como se fosse um soro e se foi. 

Num primeiro momento não senti nenhuma reação, só o medo de saber que estava fazendo a tão falada ( ops! Mal falada) quimioterapia.

Foram sete dias, por 24 horas seguidas correndo esta medicação. Além de uma outra medicação que passava pelo período de 1 hora também todos os dias. 

Rapidamente vieram os efeitos e o medo passou a ser o menor dos problemas. Fraqueza, tonteiras, mucosite em todo o trato digestivo, da boca ao intestino, febre, calafrios, náuseas, diarréia, vômitos e tudo de pior que uma pessoa pode sentir, tudo de uma só vez. 

Segui todas as recomendações para minimizar os efeitos colaterais, mas nada surtia efeitos. Muito gelo na boca, picolés de limão ( que deixaram de ser os meus preferidos), mas as feridas apareceram mesmo assim. Eram mais de sessenta aftas ao mesmo tempo e eu não conseguia mais me alimentar.

No início agüentei firmemente, mas lá para o quinto dia eu já não mais resistia. Pedi que "desligassem" tudo, já não tinha mais forças. Pensei que tudo tinha chegado ao fim. Já não conseguia mais levantar da cama, não me alimentava mais, usava fraldas, tinha hemorragias, pneumonia e muita febre. Mas o sétimo dia chegou, graças a Deus.

Com a retirada da medicação, os efeitos colaterais foram diminuindo as poucos, até que eu fui me restabelecendo. Era uma luz no fim do túnel.  A febre insistia em não ceder, mas eu fui mais forte,consegui me recuperar da pneumonia.

Era o fim do primeiro ciclo. O pior e mais forte. Agora só me restava esperar uns dias para realizar o mielograma, era esse exame que me diria se eu estava ou não em remissão.

Doeu na alma. Mas passou!