quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A descoberta da doença...


Minha rotina de vida e trabalho seguia normalmente até que senti uma falta de ar. Começou bem fraquinha e foi aumentando. Corri para uma emergência que me disse ser estresse ( eu errei o diagnóstico, porque jurava que o médico ia dizer que era virose...haha). Voltei pra casa do mesmo jeito que fui ao médico e, como não aconteceu nenhum milagre, não melhorei. 

No dia seguinte acordei com muitas manchas na pele. Eram manchas estranhas, com alto relevo e de cor avermelhada. Corri pro angiologista, mas ele me direcionou para um reumatologista. Ele me garantiu não ser nenhum problema vascular. Prossegui na minha saga e no dia seguinte estava eu lá no reumatologista. Na consulta veio o primeiro susto, a médica suspeitava de Lúpus, uma doença auto imune que não tem cura. 

Corri para fazer os exames que a médica tinha passado. Quem me conhece sabe o medo que eu tenho de tirar sangue. E, dessa vez, não tinha medo apenas do ato de tirar sangue, mas estava morrendo de medo do resultado. A coleta do sangue foi muito cruel e ficou um roxo tão grande que eu cheguei a postar no facebook uma foto do estrago. Mal sabia eu que o pior estava por vir.

Fiquei muito ansiosa aguardando o resultado do exame, mas ia demorar umas duas semanas e eu precisava me desligar disso. Ledo engano. Logo no dia seguinte recebi uma ligação do laboratório para informar uma anomalia no meu exame. Passei o telefone da médica e foram momentos de desespero aguardando uma ligação.

O telefone tocou e a médica ( reumatologista) me explicou que eu não estava com lúpus, nem qualquer outra doença auto imune. Respirei aliviada por um instante. Porém, em seguida ela me pediu para procurar um oncologista com urgência. Meu mundo caiu. Eram nove horas da noite e eu chorei copiosamente até o amanhecer.

O dia amanheceu e eu consegui  uma consulta com um hematologista para a mesma manhã. Graças a Deus!

 Ao chegar à consulta o pior se confirmou. Eu, que estava me sentindo fisicamente bem, estava com leucemia. 

Nunca na minha vida eu tinha sentido uma dor tão grande, era como se eu estivesse pequena diante da imensidão do mundo. O médico foi muito solidário e me tratou com o maior carinho, mas não tem como dar uma notícia dessas com suavidade. Dói e muito!

Num primeiro momento achei que seria o fim, que viveria o tempo que restasse apenas. Eu desconhecia completamente tudo o que cercava essa doença. Minha ignorância fez com que tudo fosse mais difícil. Muita ansiedade, muitas informações sobre a doença, o tratamento, a vida dali pra frente, mas eu não absorvia nada... A única coisa que habitava meu pensamento era a morte. Era como se eu tivesse a plena convicção de que minha vida tinha chegado ao fim.

Saí do consultório direto para o hospital. Foi tudo muito rápido, mas eu ainda não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo comigo. Muitas dúvidas martelavam meu pensamento, como eu saio de casa para uma consulta e vou parar num hospital? 

Foi muito difícil, mas passou. Ao chegar ao hospital liguei para meus amigos e minha família e todos correram para me apoiar. O susto inicial é muito grande, mas a doença tem cura. E, se tem cura... Vamos embora em busca dela. Começou aí a minha batalha pela vida.